histórias, poéticas, memórias: para uma práxis radical.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Não tenho televisão e, portanto, ouvi apenas no início da manhã a rádio e lí na internet as notícias transmitidas pela grande imprensa. Depois, eu ouvi a cidade do meu conjugado (na fronteira entre a República e a Bela Vista), e iniciei o capítulo sobre a ortodoxia marxista no “História e Consciência de classe” de Lukacs. Ao parar para tomar um café e descansar alguns minutos, ouvi na Rádio CBN, da família Marinho, uma discussão no congresso nacional sobre a votação de uma lei para diminuir a carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem a diminuição do salário. Sindicatos dos trabalhadores e dos empresários foram com suas bandeiras e chamadas de ordem lutar por seus interesses imediatos. Mas a consciência da totalidade com a qual a classe do proletariado outrora aspirava o poder e a extinção da sociedade de classes, como via-se com mais freqüência na luta de classes organizada em outras fases do capitalismo; restringiu-se a uma luta por tentar abrandar no interior do próprio status quo o movimento do Capital em massacrar a sua força de trabalho. Em tempos de precarização e informalização do trabalho, em que uma multidão de miseráveis busca a todo custo a sobrevivência; as doenças por desgaste físico e mental, em decorrência do aumento da labuta diária , estão em pauta tanto nas indústrias farmacêuticas em convênio com sociedades de psiquiatria, quanto nos hospitais públicos e nos suicídios do metrô. O passado histórico individual e coletivo, como diria Debord, com o advento da sociedade do espetáculo, deu lugar a um presente eterno e autoritário do gozo; assim como os fracassos - as demissões, doenças,prisões, pobreza, miséria - passam a ser responsabilidade restrita do indivíduo. O peso nas costas insuportável e a utopia da mercadoria fixa nos órgãos genitais, e nos pesadelos cotidianos configuram o cenário do debate que se realiza em Brasília no dia de hoje. Trabalhadores como em um último suspiro pedem o mínimo, uma demanda quase tão achatada quanto a subjetividade sob a guarda de muitas miligramas de antidepressivos. E um piolho, um tal de Sardenberg defende na rádio a manutenção das horas de trabalho com o argumento,entre os quais, de que na França e na Inglaterra está se aumentando, pois “é melhor para economia”.

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